terça-feira, 7 de junho de 2011

"MILO", o menino virtual



Diante do advento virtual, termos e conceitos como ciberespaço, cibercultura, inteligência artificial, tomam corpo e forma. O avanço tecnológico aponta um colapso do real frente ao imaginário. Propostas como o "projetoMilo" exprime e desvela as vistrualidades da mediação tecnológica.


O Projeto Milo é um software interativo, que possui uma estrutura de inteligência artificial que reage às interações humanas, como falar, gestos ou ações predefinidas em situações dinâmicas.


Ele reúne uma câmera RGB (Red-Green-Blue), um sensor de profundidade, microfone e um processador personalizado com software patenteado.


Tal software é capaz de captura os movimentos do corpo inteiro do jogador em 3D. Quando o movimento, som ou expressão é captado, o programa responde à ação do jogador.
Outrossim, o processo de geração do sistema, que está constantemente atualizando um built-in "dicionário" é capaz de combinar palavras-chave nas conversas com voz de ação inerente, para simular conversas reais.


Sendo assim, Milo é um ente de relação, na medida em que se entende, relação como um ordenamento a outro.


Segundo tal perspectiva, o projeto demonstra o anseio de calcar o cume da mediação e interação tecnológica. Na medida em que tal interação diminui a relevância da atividade interpessoal, gerando um simulacro, o menino-virtual (Milo).


O projeto também permite a interação com objetos: binóculos, folha de papel e até com a água! Logo, não atinge somente a realidade sujeito – sujeito, mas também sujeito – objeto.


Contudo, o projeto consegue penetrar no âmago da vontade do homem, ainda que de forma fragmentada, pois interpela a necessidade do homem de intimidade.


A inteligência artificial potencializa adesão a um objeto inanimado, pois não se trata apenas de um objeto inanimado aderido subjetivamente, mas de uma representação reflexa passível de comunicação.


Logo, o real será mero vestígio frente ao virtual, seja pela compulsão mórbida de consumo, seja pela alienação da sociedade. A ilusão da equivalência é capaz de erigi no homem, diversas funções inúteis. Afinal, o que se torna o corpo ao ser substituído por sua fórmula operacional?


Fabio Erison



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